domingo, 17 de março de 2013

Há leis morais universais?

Immanuel Kant não hesitaria em responder afirmativamente a essa pergunta. No prefácio ao livro Fundamentação da Metafísica dos Costumes (cuja primeira edição é de 1786), por exemplo, ele afirma:

"Toda a gente tem de confessar que uma lei que tenha de valer moralmente, isto é como fundamento duma obrigação, tem de ter em si uma necessidade absoluta; que o mandamento "não deves mentir', não é válido somente para os homens e que outros seres racionais se não teriam que importar com ele, e assim todas as restantes leis propriamente morais; que, por conseguinte, o princípio da obrigação não se há-de buscar aqui na natureza do homem ou nas circunstâncias do mundo em que o homem está posto, mas sim a priori exclusivamente nos conceitos da razão pura, e que qualquer outro preceito baseado em princípios da simples experiência, e mesmo um preceito em certa medida universal, se ele se apoiar em princípios empíricos, num mínimo que seja, talvez apenas por um só móbil, poderá chamar-se na verdade uma regra prática, mas nunca uma lei moral" (tradução de Paulo Quintela, Edições 70, BA VII, VIII).

sexta-feira, 15 de março de 2013

Metáforas da Razão

No momento em que apresenta ao leitor a segunda parte da Crítica da Razão Pura, chamada de Doutrina Transcendental do Método, Kant compara "o conjunto de todo o conhecimento da razão pura e especulativa" (KrV A707/B735) a um edifício, para o qual a primeira parte do texto, chamada de Doutrina Transcendental dos Elementos, forneceria um inventário completo dos recursos e materiais disponíveis para a construção. Sem ter em conta esse inventário, qualquer projeto metafísico correria o risco de conduzir a uma "confusão de línguas, que devia inevitavelmente dividir os operários sobre o plano a seguir" (KrV A707/B735), numa clara referência ao episódio bíblico da Torre de Babel. Essa referência, ao relativismo que conduz ao ceticismo, ao projeto...